sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O barro

" O barro
toma forma
que você quiser...
você nem sabe
estar fazendo
apenas
o que o barro quer."
P. Leminski

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Trinta e dois anos sem Érico Veríssimo... se não erro na data e nas contas....
Na fazenda de meu pai, na minha "meninice", tinha uma cavalo Tordilho... velho, mas tão velho, que diziam que meu avô tinha aprendido a andar a cavalo nele...
Mas para mim... um alazão. Era nele que montada, andando em roda de casa, que nunca fui muito corajosa, me sentia Ana Terra... Mas dizem por aí que ter mãe e vó gaúcha significa ser personagem de Érico Veríssimo, já nasce Ana Terra...
"A falta de Erico Verissimo
Falta alguma coisa no Brasil
depois da noite de sexta-feira.
Falta aquele homem no escritório
a tirar da máquina elétrica
o destino dos seres,
a explicação antiga da terra.
Falta uma tristeza de menino bom
caminhando entre adultos
na esperança da justiça que tarda
- como tarda!a clarear o mundo.
Falta um boné, aquele jeito manso,
aquela ternura contida, óleo
a derramar-se lentamente.
Falta o casal passeando no trigal.
Falta um solo de clarineta. "
Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Ontem foi dia de "função"...







Ontem foi dia de queimar cerâmica... quem queima à lenha sabe do que estou falando...
E dia de "função" e começa cedo. É hora de colocar todas as peças no forno. O Mig é craque em fazer estas pilhas.. Separar a lenha e aguentar, até o forno esquentar: a fumaça...
Mas logo esquenta, o fogo pega ... o dia todo aquele cheirinho gostoso de lenha queimando... aquele calorzinho gostoso no ateliê. É dia de passar o "dia" lá, em roda do fogo (...Perto do fogo, como faziam os hippies... perto do fogo, como na Idade Média... - Cazuza)... trabalhando em sossego. Até os cachorros estão acomodados perto do calor. Na boca da noite... um cheiro diferente no ar... é o fogo fazendo a sua parte... agora ele é que comanda, lambendo o barro para que ele se torne cerâmica. O fogo mais intenso... as brasas brancas... Pelas aberturas do forno vamos controlando... mais fogo na frente... mais no fundo. E... lentamente vêem surgindo, do breu inicial, silhuetas vermelhas... alaranjadas... são minhas bonecas. É emocionante vê-las lá dentro sob o poder do fogo... agora elas são dele... A magia da cerâmica se realizando. É noite e pelas frestas podemos ver o forno iluminado... tudo pronto. Baixam as labaredas e permanecem as brasas, vivas... brancas... A cerâmica está queimada. Depois de quase doze horas de "função", estamos cansados, cheirando a fumaça... felizes. Às vezes penso na tranqüilidade de um forno elétrico, com termostato... Mas e a fumaça??? a fuligem... e a"função"??? Desisto.
O bom é a "função"...

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Dia da Consciência Negra

Um pouco atrasada... estava sem computador... não posso deixar de prestar minha homenagem aos jovens que frequentam meu ateliê e que comigo formam o "Grupo Cerâmica Valongo"
"A cultura afro-brasileira tem mais de mil anos em sua origem. Trazida para o Brasil por mais de 12 milhões de pessoas de 250 diferentes tribos, influiu no nosso idioma, comportamento, fé, hábitos, ciência, culinária e, principalmente, na nossa formação genética. Todos nós temos raízes negras: somos mestiços direta ou indiretamente. Devemos honrá-las, reencontrá-las e nos orgulharmos dela."

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Esse era o tio Juvêncio...


... dizem alguns que esta minha mania de escrever... de ter diário... blogs... vem de lá...

Adorei ter encontrado esta foto.

Dia da Bandeira

Hoje, quando me dei conta que era o dia da Bandeira me passou um filme... a correria nos corredores do CENAV, íamos ensaiar o hino no auditório, sim... isso mesmo. A gente aprendia a cantar todos os hinos... da Independência, da Proclamação da República, da Bandeira... do Marinheiro... Eu acho todos lindíssimos. E lá íamos nós, num alvoroço.
No auditório, ao piano, nossa professora de música... Isto mesmo, piano, escola.... estadual.
Nós adorávamos e depois... no pátio, a plenos pulmões, soltávamos a voz.
Houve um período em que éramos contra, aquele período em que somos contra tudo...
Mas, no fundo, sempre gostamos. Era pura diversão, cantar bem alto e emocionados... hinos.
Não sei se cantar hinos era imposição do "regime", a tal da Ed. Moral e Cívica, isto não nos importava...
E se, como hoje o céu estivesse este azul anil e o sol brilhasse...
Meu Deus... como era bom... era tri-bom!

E falando em hinos, Pátria e poemas... fica aqui uma homenagem a um tio-avô muito especial... meu Tio Juvêncio, das revoluções, do cabelo branco, do cavalo a galope e das poesias declamadas com um patriotismo que só vi nele...
"Salve lindo pendão da esperança,
Salve símbolo augusto da paz..."

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Meu escritório... final de uma tarde ensolarada...

E na "vitrola", canta o Ney...
" a inspiração vem de onde? pergunta prá mim alguém...
respondo... talvez de Londres
de avião, barco ou ...
vem com você neste trem...
nas entrelinhas de um livro...
nas veias de um coração...
vem do amor...
vem do riso!!!!