Um passeio com Maiakovisky
Na primeira noite
eles se aproximam
e colhem uma flor
de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz
da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.
"Maiakovisky" - poeta russo que escreveu o poema acima ainda no início do século XX
O assustador é que, após mais de cem anos dessa lição, ainda nos encontremos tão desamparados, submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governantes, que vampirizam o erário, aniquilam as instituições, e deixam aos cidadãos os ossos roídos ...
Mas... o direito à palavra...
Este ainda temos...
Façamos uso dele!!!!!!
Espero passar o "amargo" que estou sentindo ... e amanhã falar das flores.