
Em algumas comunidades, foto é uma raridade. Coisa como um tesouro, que se tem pouquíssimas, ou quase nenhuma, e se guarda com devoção. Estranho... quando se vive na era da tv digital, do celular com câmera.. do dvd... Mas existem pessoas que não se reconhecem em fotos. Não podem lembrar, ou melhor, rever - por que a lembrança carregamos conosco, em cheiros... sons ... sabores... - mas rever sua primeira infância, sua avó que já se foi. Eu, que vivo de máquina na mão e quando, como agora, não tenho... arrumo emprestado.. Sou uma figureira, preciso de figuras para reproduzir... nunca tinha me dado conta desta "necessidade", a de nos retratarmos... de carregarmos conosco retratos da nossa história de vida. Até porque, eu os tenho.
Semana passada visitando... e fotografando ... essa bebezinha linda, recém-nascida, ouvi de sua mãe o seguinte pedido: -Ahhh, Patrícia, sempre que tu vieres dar aula prás meninas, vem cá tirar foto da minha nenê, não tenho nenhuma foto da minha infância, não quero isso prá minha filha. Às vezes, são tantas as outras necessidades que deixamos esta passar... Parece que aquilo é um luxo desnecessário, não é, não!
Bom, para encurtar a conversa. Estou juntando máquinas, já temos duas... aquelas de filme... que para alguns parece um dinossauro. Mas bate foto, faz retrato, portanto ... serve. São agora propriedade do Grupo Cerâmica do Valongo, entre eles acertam: tem nenê novo, a mãe leva a máquina... tem festa na casa da vovó... lá vai a máquina... Responsabilidade deles.... foto deles, guardadas por eles ... por que as minhas, eu continuo batendo...