
As aventuras de uma professora de escola no mundo novo da escolinha...
Até pode parecer satírico, mas não é essa minha intenção, estou realmente num mundo novo e diferente daquele que minha prática educacional estava acostumada. Vinte seis anos se passaram, este é o tamanho da minha caminhada na educação... Muita coisa aconteceu, muitas mudanças... algumas já incorporei, mudanças que percebi na escola dos meus filhos, agora, na dos meus netos. Novamente estou na escola, trabalhando "Arte e Folclore", de uma forma lúdica, como deve ser, mas no ambiente escolar.
A mudança que mais me chama atenção é que a escola, muitas vezes, passa a ser a escolinha e a professora, a tia... Nada de muito grave, a princípio, mas diminutivos são sempre perigosos e a tia... é a irmã dos nossos pais, não uma profissional que estudou e se esmera todo dia no ofício de ensinar. Isso não é novidade... eu sei, mas muito da nossa autoridade de profissionais da educação esvaiu-se por aí.
As escolas hoje são mais alegres, mais enfeitadas, mais agradáveis ao olhar, sem dúvida... mas não são o segundo lar das crianças. O segundo lar deles, é a casa dos avós... ou outra que sua família assim entenda. A escola não deve assumir esta função, lembremos, ela é um educandário. Deve ter todas as características citadas acima, mas nela se ministra educação.
É complicado, num tempo em que as crianças passam o dia todo na escola, muitas vezes é ali que estudam e que brincam... Foi-se o tempo que a criança brincava em casa, no pátio, na casinha da árvore... e olha, eu falo de cidadezinha, sem as características de grande centro, mas aqui as mães também precisam trabalhar.
Me parece que estabelecer este limite entre o brincar e o estudar é o mais difícil. Sim, a escola tem que mudar, ir se adequando a novas exigências sociais, mas a educação precisa recuperar o sentido, a razão de ser, o sentido original do termo. No latim, educar significa algo como "conduzir para fora", ou seja, desenvolver as potencialidades do ser humano.
Me parece que, de forma corajosa e adulta, devemos assumir que o papel da escola é da escola e o papel de pai é do pai e, antes de ensinar valores aos filhos e alunos, os pais e a escola precisam ter clareza de quais são seus próprios... Queremos formar cidadãos, temos que agir como tais...